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terça-feira, 10 de março de 2009

Editoral de Herdeiros do Porvir

Editoral
de Herdeiros do Porvir


No.
1 – setembro de 1995





Para bem compreender o futuro que nos aguarda, às portas do 3o.
Milênio da Era Cristã, nada melhor do que lançar
um olhar retrospectivo aos 200 anos que, em números redondos,
nos separam da Revolução Francesa de 1789.


Certamente não somos, nem poderíamos ser, daqueles que ao verem
evovado o regicídio de Luís XVI e de Maria Antonieta,
manifestam um sentimento selvagem de alívio, como se tal
acontecimento tivesse sido um ato de justiça histórica.
Não somos igualmente daqueles saudosistas que, segundo a
espirituosa expressão de um norte-americano, ainda perdem o
fôlego ao considerarem o trágico fim desse rei tão
condescendente e dessa rainha tão encantadora. Somos, isso
sim, daqueles que têm profunda consciência de que certos
problemas do passado são problemas continuamente vivos e que,
ainda hoje, a Revolução Francesa tem grande parte na
psicologia e no acontecer político, não só dos
próprios franceses, mas de todos os povos, ainda quando esse
acontecer político não tenha sido acompanhado pelos
rios de sangue de que nos fala a história de então.


O martírio dos reis cristianíssimos marca, de um ponto de
vista histórico, o começo de um movimento universal de
demolição que, como um tufão, vem abalando as
leis, as instituições e os costumes do glorioso
Ocidente cristão.


A Revolução que se desencadeava a partir da França,
então a capital cultural do mundo, procurou eliminar o ponto
ordenativo da ordem social e, como ele, as concepções
religiosa e política correlatas.


Sem ir mais longe, foi esse mesmo espírito que animou o movimento
que, no Brasil, derrubou, um século mais tarde, o trono dos
Braganças.






*
* *






Não se atenta contra a cabeça e princípio da ordem social
sem que as consequências as sofra todo o corpo. O que os
útimos 200 anos deixaram patante pe precisamente esta verdade:
A Revolução não parou não se esgotou nos
paroxismos do Terror. Ela foi-se desdobrando de modo a irradiar-se
por todo o corpo social.


Em seus aspectos essenciais, a histpória que começou a ser
escrita na França, mas cujas consequências são de
alcance universal, identifica-se com o surgimento, apogeu e ocaso de
um imenso e universal movimento de idéias, estilos de vida,
sistemas artísticos, instituições políticas,
sociais e econômicas. Um movimento ora violento e ostensivo,
ora pacífico e camuflado, mas sempre destrutivo.


Essses acontecimentos históricos, da França de 1789, marcam,
pois, o começo de uma Revolução no mais amplo
sentido do termo, uma Revolução total e de grande
alcance que já no início, como bem o expressou um de
seus cabecilhas, Rabaud de St. Etienne, visava todas as manifestações
do homem. É preciso, dizia, “mudar as idéias,
mudar as leis, mudar os costumes, mudar os nomes, mudar as coisas,
mudas as palavras, destruir tudo”.






*
* *






Entretanto, é necessário ter em consideração que os
problemas suscitados pela Revolução Francesa não
abarcam em si todo o movimentar da Revolução hodierna.
Essa Revolução se desenvolveu e metamoforseou, e
propõe, hoje, de modo explícito, uma modificação
de tudo.


Despudoradamente o relevou Herbert Marcuse, filósofo da rebelião de Maio
de 68 e expoente da chamada neoRevolução: “Devemos
alcançar as raízes da sociedade nos próprios
indivíduos. Hoje a mudança qualitativa, a liberaççao,
implica mudanças orgânicas de instinto e biológicas,
ao mesmo tempo que mudanças políticas e sociais.
Pode-se indubitavelmente falar de uma revolução
cultural, já que o protesto está voltado contra todo o
Estabelecimento cultural, incluindo a moral da sociedade existente.
Há uma coisa que podemos afirmar com segurança:
acabaram-se a idéia tradicional de revolução e a
estratégia tradicional de revolução. Estas
idéias são antiquadas. O que devemos empreender é
uma espécie de difusa e dispersa desintegração
do sistema” (*).


Trata-se, portanto, da introdução silenciosa e subreptícia
de germes de demolição na própria raíz de
cada uma das manifestações da atividade humana, de modo
a que nada do que é humano lhe escape. É, pois, uma
Revolução Cultural.


“A expressão revolução cultural – segundo
Pierre Fougeyrollas, outro expoente desta neo-Revolução
– significa verdadeiramente uma revolução das
maneiras de sentir, de atuar e de pensar, uma revolução
de maneiras de viver (coletivamete e individualmente), em suma uma
revolução da Civilização” (**).


Uma Revolução, portanto, que se diz Cultural para indicar a
amplitude e a periculosidade de seu poder demolidor.


Cultura é sinônimo de aperfeiçoamento. Cultivar, seja o
espírito seja a terra, é aperfeiçoar, tornar
frutífero, belo e harmonioso.


A Revolução Cultural, pelo contrário, visa tirar
dos eixos as coisas, tornando-as estéreis, desproporcionadas,
imperfeitas, dissonantes. Numa palavra, voltar as coisas contra seu
fim natural.






*
* *






Para que o ideal monárquico continue integralmente aquilo que
sempre foi, mas, por outro lado, não se fossilize na
imobilidade e em polêmicas, por vezes, um tanto peremptas e até
estéreis, é necessário compreender a contínua
metamorfose desta Revolução universal.


É evidente que as novas fórmulas revolucionárias, que
encantariam os regicidas de 1789, mas que eles não ousariam
explicitar – ou talvez não souberam explicitar –
apontam para a meta visada por todos eles. Ou seja, oa anarquização
de tudo, a subversão total, o caos absoluto.


O objetivo de tal Revolução é o nihilismo, reduzir
a nada e confundir no caos mais completo tudo aquilo que a
civilização e a cultura cristãs – frutos
preciosos do sangue de nosso Divino Redentor – levaram a seu
esplendor.


Esse fim, poucos o expressaram com tanta clareza quanto Marx, o qual num
“arrobo místico”, possuído pelo espírito
de destruição, exclamou: “Ao mundo que se levante
entre mim e o abismo o farei pedaços com minhas maldições
perduráveis, ainda que arrate o mundo à ruína.
Lançarei os braços ao redor de sua áspera
realidade: abraçado a im, o mundo perecerá caladamente,
e logo se afundará no nada absoluto” (***).


É a tal fim anarquizante que vai chegando paulatinamente a realidade
contemporânea. Os atentados de Osaka, Oklahoma ou Medellín,
tal como a escalada do terrorismo integrista muçulmano a nível
mundial, não são senão uma mostra disto. Por
outro lado, a insegurança e a crescente situação
indefesa da sociedade perante a expansão da indústria
do roubo, do sequestro e do tráfico em grandes cidades como o
Rio ou São Paulo, constituem outros sintomas de uma sociedade
em decomposição e que se dissolve no caos.


Para não falar do alastramento de aberrações morais
como o homossexualismo e a generalização do aborto,
essa violenta e brutal transformação do, por natureza,
fértil e protetor seio materno em estéril câmara
de tortura e de morte de inocentes, aos quais se nega a mais
elementar acolhida. Aberrações a par das quais não
é de estranhar que brotem outras como a do parricídio e
da autanásia, em que os filhos não desejados têem
como contrapartida os pais e os velhos não desejados.






*
* *






Hoje em tida, pois, a Revolução Cultural põe em jogo,
não só o sim ou não a respeito das formas de
governo, Monarquia ou República, mas o sim ou não a
respeito de tudo: do Estado institucional ou da pulverização
anárquica do corpo social; da instituição
tradicional da família ou das formas aberrantes de sociedades
ditas “conjugais” entre pessoas do mesmo sexo; da moral
ou das formas mais indigestas e convulsivas da imoralidade....
digamos tudo em uma palavra só: da crença absoluta em
um Deus pessoal ou o do relativismo e do ateísmo completos.


Para nós, é de capital importância ter noção
de que os que vêem, no conjunto de problemas levantados pela
Revolução Francesa de 1789 as únicas facetas da
Revolução hodierna. Estão fora do tempo. Como
igualmente fora do tempo estão os que se arrepiam de pânico
quando consideram que, hoje em dia, até mesmo entre os jovens,
há admiração por instituições como
a nobreza ou a realeza, e se tem saudades de figuras, como por
exemplo, a de D. Pedro II.


É preciso compreender que, atualmente, se detectam na opinião
pública dois movimentos profundos e que caminham em sentidos
diametralmente opostos. De um lado, o daqueles que tendem a chegar
aos paroxismos últimos desta Revolução Cultural
acima descrita. De outro, cada vez mais numeroso e mais pujante, o
daqueles que dão sinais inequívocos de se estarem
libertando da escravidão às utopias e mitos
igualitários, ao mesmo tempo que começam a voltar-se
admirativamente para o glorioso passado cristão, buscando os
valores de ordem natural e sobrenatural que o inspiraravam e lhe
conferiram grandeza inigualável.


Portanto, acima da crise, do caos e da confusão generalizada, vemos o
ideal de Civilização Cristã não como um
valor ultrapassado, mas com oum farol que nos indica um porvir
glorioso do qual somos chamados a ser os herdeiros.


Como Herdeiros do Porvir, para contrarrestar essa imensa avalanche
da Revolução Cultural, devemos ir semeando por todas as
partes os perenes e sempre novos ideais da Civilização
Cristã que, como germes de uma Contra-Revolução
Cultural, reorientem os espíritos e os corações,
para essse movimento ascencional rumo à perfeição,
em todos os âmbitos da vida.


É com essa meta que iniciamos esta publicação, qual desde
já colocamos aos pés da excelsa Padroeira e Rainha do
Brasil, Nossa Senhora Aparecida, uma vez que temos bem vincada em
nossas almas a certeza de que nada de grande e de sólido se
constrói sem a indispensável ajuda da Providência.


(*) La sociedade carnívora, ed. Galerna, Buenos Aires, 1969, 2a. ed
(**) Marx, Freud et la révolution totale, Anthropos, Paris, 1972.}
(***) apud D. Cardozo, in “Boletín de Ciencias Politicas y
Sociales”, Mendonza, Argentina, n. 22, 1978, p. 53.


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segunda-feira, 2 de março de 2009

A Crise Atual e a Economia em uma Sociedade Orgânica


A Crise Atual e a Economia em uma Sociedade Orgânica


J. G. Beccari*


A crise que se abateu sobre a economia capitalista pôs à mostra os pés de barro da sociedade industrial e globalizada moderna, a ponto de alguns pregarem a socialização do Ocidente,através da estatização de bancos e grandes empresas e a instauração de estritos controles e regulamentos sobre os demais entes econômicos. As grandes corporações modernas, onde o controle é difuso e o poder está em mãos de pessoas descompromissadas com os detentores do capital, estão a um passo da socia-
lização.

Ora, depois do estrondoso fracasso do socialismo, caracterizado pela pobreza ainda reinante nos países que teimam em mantê-lo, como a Cuba de Fidel Castro, seria um erro ainda maior cair nessa tentação.Ademais, à luz da doutrina cristã, o socialismo é de si ilegítimo ao preten-der estabelecer entre os homens uma sociedade igualitária, que afronta a ordem natural e que nega a propriedade privada objeto de dois Mandamentos da Lei de Deus: “Não roubarás” e “Não cobiçarás as coisas alheias.”

Qual é então a solução? Faz-se necessário entender as causas do pro-blema. Os economistas de todos os naipes divergem sobre isso. Limitam-se a constatar que a produção exagerada de bens, vendidos através de insidiosas campanhas de marketing, com o financiamento temerário de instituições financeiras, tudo isso aliado ao desejo incontido de lucro rápido de muitos consumidores, levou à formação de “bolhas”.

A verdade é que no âmago das crises as tendências desregradas do homem moderno. Especialmente quando se verifica que o homem de hoje deixou de ter uma razão mais elevada para sua exis-tência e de se preocupar com seu aperfeiçoamento moral e espiritual. Passou a viver o “aqui e agora”, tentando “tirar vantagem” de tudo, olvidando-se de suas obrigações para com Deus, para com sua família e até para consigo mesmo...

A hierarquia e o respeito na sociedade moderna não se pautam mais pelo critério do valor pessoal e do serviço ao bem comum, mas tão somente pela posse de bens materiais, dando, por vezes, lugar de proeminência a elementos amorais da burguesia abastada, quando não a oportunistas de duvidosa formação.

Além disso, a globalização, que transfere a produção industrial e a prestação de serviços para países longínquos, ins-táveis ou mesmo dominados por ditaduras socialistas, torna as economias dependentes de fatores extrínsecos ao controle local.

O capitalismo, sob a égide dos princípios da propriedade privada, da livre iniciativa e do respeito à função subsidiária do Estado, que, ao contrário do socia-lismo, é de si legítimo, se presta a abusos quando desvinculado dos princípios morais e cristãos. Abusos estes que contém o gérmen da atual crise ao colocar em primeiro plano a busca desenfreada do lucro como finalidade última e exclusiva da atividade econômica.

À vista do acima exposto, ousamos dizer que, se, no campo político, a restauração da ordem implica na volta da monarquia numa sociedade familiar e aristocrática, no campo econômico, a solução da crise está no retorno do homem a uma impostação perante a vida que coloque, verticalmente, Deus acima de todas as coisas e, por conseqüência, coloque o seu desenvolvimento moral e espiritual acima dos bens materiais. Diz o Evangelho: “procurai, antes de tudo, o Reino de Deus e a sua Justiça, e o resto todo vos será dado por acrés-cimo.”

Uma sociedade sacral, onde todos estivessem voltados para atingir o seu fim último, ordenaria automaticamente o consumo e a produção para suprir as legítimas necessidades do homem, sem cair em exageros ou desequilíbrios. O homem voltado para Deus e mais centrado em si e no seu próximo seria tendente a aproveitar e garantir o que possui. Deixaria de se voltar para o lado, horizontalmente, procurando vantagens mirabolantes, por vezes em outras pessoas,em outras situações pessoais ou em locais distantes.

Assim, as necessidades do homem bem ordenado seriam atendidas antes de tudo pelo seu trabalho e pelos bens produzidos por produtores próximos que se utilizariam da matéria prima e mão de obra locais, desenvolvendo ao máximo as potencialidades regionais, sem a dependência de fatores externos, fora de seu controle. A estabilidade daí decorrente, tal como nas antigas fazendas nas quais quase tudo se produzia internamente,
é evidente.

A produção visaria primordialmente atender as necessidades dos consumidores. A qualidade e o requinte dos bens teriam prioridade em relação à quantidade. O lucro pela produção proporcional àquelas necessidades garantiria ao produtor e à sua família uma vida condigna e a melhoria de sua situação pessoal. Os consumidores, por seu turno, se limitariam a adquirir aquilo de que necessitassem, dentro de suas possibilidades.

Tal sociedade seria ordenada hierarquicamente em função do serviço de seus membros à Igreja e ao bem comum, e não somente em função da riqueza. Isso colocaria em seu devido lugar as tendências humanas, desregradas por natureza.

Tal sociedade não é utópica como poderia parecer à primeira vista e já existiu na História, na Idade Média. Na Encíclica Immortale Dei, Leão XIII des-creveu nestes termos a Cristandade medieval: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer”.

A hierarquia social da Idade Média era encabeçada pelo clero, cujo direi-to provinha da doação de si mesmo à religião – clero este que tinha por incumbência, ainda, prover as duas mais dispendiosas atividades do Estado moderno, a instrução e a saúde, através das escolas e hospitais mantidos pelos religiosos. A seguir vinha a nobreza, tributada com o chamado “imposto de sangue”, decorrente do serviço militar à nação, e incumbida, ainda, de prestar a Justiça e da segurança interna. Por fim vinha o povo que, dispensado da guerra, podia se dedicar comodamente ao comércio e à produção, atendendo às necessidades materiais da sociedade, mas tributário da nobreza.

A partir do Renascimento e do Huma-nismo a religião deixou de ser o centro da existência humana, que passou a ser ocupado pelo próprio homem. Homem este que, embora acumulando riquezas de maneira lícita, pois fruto de seu trabalho e engenho, já era dominado por suas paixões sem os limites da moral. A burguesia, levada por ideólogos revolucionários, a pretexto de possuir fortuna, passou então, de maneira indevida, a reivindicar a direção da vida pública, culminando com a Revolução Francesa.

A Revolução Industrial não foi senão um seguimento do movimento tendencial de acumulação ilimitada de riquezas. A produção em massa, em que a quantidade e o lucro se sobrepõem à qualidade e ao atendimento das necessidades dos consumidores, alterou o foco da economia. Seguindo os preceitos de Adam Smith, a produção deixou de ser regional e proporcionada às necessidades locais. A propaganda passou a induzir ao consumo, às vezes muito além da zona natural de influência dos produtores e das próprias necessidades dos consumidores. Daí para a globalização foi apenas um passo a mais...

Temos, ainda, a indução à urbanização. Quebra-se a organização social familiar e patriarcal, ligada sobretudo à terra, que era de si mais condizente com a natureza humana. A família moderna, urbana, passa a ser nuclear (pai, mãe e um ou dois filhos) subordinados à ditadura dos meios de comunicação de massa. A previdência social e o amparo aos doentes deixam de ser feitos pela família e passam ao Estado.

Dispensamo-nos, aqui, de abordar o tema do empobrecimento cultural resultante da produção industrial em massa e globalizada, o que é objeto de estudos de diversos especialistas. Certo é que a rica diversidade regional tende a desaparecer. Por exemplo, os mil queijos artesanais de um país europeu seriam substituídos pelo queijo único pasteurizado...

Retornando ao tema deste artigo, temos, pois, que, pelos fatores acima, a economia moderna ficou sujeita a crises cada vez mais agudas e incontroláveis. E, não nos iludamos: a proliferação de leis e regulamentos num stado totalitário, além de trazer a centralização e a injustiça, não evitará o caos e a pobreza característicos dos países socialistas. Somente a volta à ordem natural poderá salvar a Babel moderna da desagregação e direcionar o mundo para um novo período de progresso material e de verdadeira riqueza.


* Advogado e presidente do Pró Monarquia

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A justiça dos Títulos Nobiliárquicos Hereditários


Luís Alves de Lima e Silva (1803 - 1880)
Caxias foi o único duque (1869) do Império do Brasil.

José Guilherme Beccari*


Os filhos são a continuação do homem.

Imagine o leitor que um grande personagem de nossa história tivesse dedicado toda a sua existência a serviço do país, quiçá nos campos de batalha, e que graças a essa pessoa, por um trabalho incansável de uma vida, a nação devessa a sua pacificação e a consolidação de suas fronteiras.
De tal modo esse homem teria sido absorvido por essa missão que não teria tido tempo para dedicar-se a atividades lucrativas que garantissem o sustento condigno de suas filhas após a sua morte. Imaginemos que essa pessoa tivesse recebido a maior honraria do Império do Brasil, um título nobiliarquico elevado, mas que não tivesse podido transmiti-la a seus descendentes, vez que os títulos de nobreza não eram hereditários. Pois esta, prezado leitor, foi a história do nosso Duque de Caxias! Conta-se que suas filhas passaram dificuldades financeiras não condizentes com a estatura história de seu genitor, mitigada apenas por uma pequena pensão que lhe foi posteriormente concedida.... Não teria sido justo que os descendentes daquele herói de nossa nação pudessem ter herdado ao menos um título nobiliárquico garantido àquela família o reconhecimento do país aos sacrifícios do seu ilustre antecessor, proporcionando-lhes um “status” à altura?


Imagine, outroassim, o leitor que existisse uma cidade ameaçada por uma contagiosa doença que já dizimara a população de localidades vizinhas. Imaginemos que um residente muito rico, um magnata da região, em lugar de se refugiar seguramente no exterior com sua numerosa família e levando seus bens, optasse por dedicar sua numerosa fortuna e seus esforços à criação de uma instituição de saúde que não somente tratasse daquela população salvando suas vidas, mas até tivesse descoberto em seus laboratórios a cura da malfadada doença. No processo, porém, esse benemérito que salvou a cidade se viu velho e inválido, após ter esgotado o patrimônio de sua familia que, embora digna, ficou privada das benesses que uma condição financeira ou social superior poderiam proporcionar.

Este segundo caso é um exemplo apenas hipotético. Mas não seria bonito, e até um imperativo de justiça, que a cidade agradecida, garantisse aos descendentes daquela pessoa ao menos uma posição social privilegiada proporcionada por um título de nobreza hereditário?
Este era o papel dos títulos de nobiliárquicos hereditários. Eles eram a forma de recompensar na Terra o bem que certos homens ou certas famílias fizessem a uma comunidade, muitas vezes com o custo da fortuna pessoal, quando não da vida.

Embora um título nobiliárquico não passe, o mais das vezes, de um diploma assinado pelo monarca, a história nos mostra que as famílias assim distinguidas cultivavam a honra de seus antecessores ilustres e acabam, muitas vezes, por se transformar em árvores frondosas que produzem, vez por outra, frutos preciosos para a nação. Ademais, estas famílias aristocráticas passam a ser o esteio de uma sociedade orgânica.

É por isso que propomos que a restauração da monarquia no Brasil seja acompanhada da criaççao de uma nobreza hereditária a fazer justiça para com os benfeitores da nação, diretamente e/ou na pessoa de seus descendentes, garantindo, assim, a formação de elites aristocráticas. A Família Imperial não seria senão o pináculo desta aristocracia hereditária.


*Advogado e Presidente da Pró Monarquia.
Herdeiros do Porvir 16 – Maio de 2006.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

O contribuinte vive às custas da Monarquia inglesa




Considerando o esplendor da monarquia inglesa alguém poderia objetar que este é de um um sistema perverso. Veja-se, dirá esse alguém, o luxo injustificado em detrimento dos cofres públicos e, em conseqüência, do contribuinte britânico.


Esqueçamos, no momento, que a nação inglesa talvez nem existisse hoje e tivesse sido extinta e derrotada no passado por povos mais fortes sem as defesas da nobreza e de uma família real bem estabelecidas militarmente às suas próprias custas. Esqueçamos também todo o longo gestar de uma cultura que, sob a égide desses monarcas, tornou o povo inglês uma presença marcante no conjunto das nações.


Voltemo-nos para um aspecto corriqueiro, mas que não deixa de ter sua importância, o lado econômico. É bem verdade que argumentar a favor de um sistema monárquicos, apenas por seu lado econômico, não é o mais elevado, nem propriamente decisivo. Mas uma vez que detratores dos regimes monárquicos - e em concreto do inglês - também o atacam nesses aspecto, não é de todo descabido analisar tal faceta.


Surpresa: a Monarquia inglesa não pesa sobre o contribuinte britânico. Pelo contrário, ela dá lucro indireto para o contribuinte criando as condições para o turismo, para uma forte indústria e um estável setor de serviços. E dá também lucro direto para o tesouro e, em conseqüência, para o contribuinte. Explicamos.


Diversos são os pontos pelos quais se provaria que o lucro indireto ao contribuinte britânico é tão grande que este vive hoje, largamente, às custas da instituição monárquica vigente em seu país. Com certeza, para os quase 10 milhões de turistas que visitam a Inglaterra anualmente, a pompa e circunstância e jóias da monarquia inglesa representam o maior atrativo daquele país. São muitos bilhões de libras esterlinas por ano a mais para a economia local. Por outro lado, a estabilidade proporcionada pela monarquia tornou possível a instalação na City de Londres do maior centro financeiro do Mundo (Nova Iorque e Tóquio são mais fortes se considerarmos os respectivos mercados internos; entretanto, o mais importante mercado internacional composto pelos maiores bancos europeus, americanos e japoneses está sediado hoje em Londres). Poderíamos igualmente afirmar que o poderio econômico e cultural inglês só pôde se estabelecer mundialmente como um reflexo do antigo Império inglês. Estes são alguns dos benefícios que não tão indiretos que a Monarquia dá ao contribuinte inglês.


Mas pode falar-se em lucro direto? Isto não é um sonho? Poderíamos começar por lembrar pitorescos e familiares fatos que mostram que o senso de economia da monarquia na Inglaterra (e portanto direta do contribuinte) se reflete até nas pequenas coisas. Vamos, porém, a alguns fatos substanciosos.


O "The Times", considerado o mais sério jornal inglês, no dia 2 de fevereiro de 1996, publicou um artigo que aborda curiosos e ao mesmo tempo importantes aspectos das finanças da monarquia inglesa. Noticia que, com a antecedência de oito meses, como é próprio das instituições estáveis, um ex-sócio da prestigiosa empresa de auditoria e contabilidade KPMG, o Sr. Michael Peat, de 46 anos, foi escolhido para ser o próximo "Keeper of the Queen and Receiver General of the Duchy of Lancaster", em outras palavras o tesoureiro da Casa Real, suas propriedades, seus estábulos e seus cavalos, substituindo Sir Shane Blewitt, de 63 anos, que se retira após uma longa carreira.


O Sr. Peat tem dado provas de sua competência no trato das economias da Casa Real. Desde 1990 trabalha para ela como representante daquela firma de contabilidade fundada por seu pai. Notem-se aqui dois pontos: dentro de um regime familiar monárquico os servidores vão sendo escolhidos com antecedência e passam pela prova do tempo; e, sendo o Sr. Peat de uma tradicional família de contadores (herdeiro e sócio de um dos gigantes daquele ramo) ele certamente teria ocupações muito mais rentáveis do que seu salário de servidor de 116.000 libras anuais. É, no entanto, um "old Etonian", ou seja, um ex-estudante do prestigioso colégio de Eton, e provém de uma longa dinastia de servidores reais. Seu pai e seu avô foram auditores privados da rainha. A honra de servir está para um homem assim, acima do mero desígnio, de si legítimo, de ganhar dinheiro.



Desculpe-nos o leitor baixarmos agora aos números. Mas, para se ter uma idéia do caráter e competência do Sr. Peat, somente nos quatro últimos anos, com sua iniciativa de instalação de vidros duplos no palácio de Buckingham e no Castelo de Windsor ele economizou mais de três milhões de libras em aquecimento. Sua meta é atingir quinze milhões de libras na redução nos custos dos palácios até o ano 2000. No ano passado o Sr. Peat conseguiu, em medidas sábias, reduzir os gastos de eletricidade da Rainha em 9%, sua despesa com gás em 17% e sua conta de água em 53%. A abertura do Palácio de Buckingham e do Castelo de Windsor ao público proporcionaram quatro milhões de libras que estão sendo utilizadas para a reconstrução da parte do Castelo de Windsor destruída em recente incêndio. Da dotação anual da Rainha de 7,9 milhões de libras, utilizada para a condução de suas obrigações públicas e a manutenção de seu escritório, o novo tesoureiro conseguiu nos últimos anos um superávit de 16,9 milhões de libras do qual o contribuinte vai se beneficiar diretamente quando da renegociação daquela dotação por mais 10 anos, em 2001.


Isto porém não é tudo. De fato, nas finanças da família real, o grande vencedor é o Tesouro (e portanto o contribuinte), segundo o artigo do "The Times". Os custos totais da monarquia na Inglaterra, desde as flores da Rainha ao Iate Real, são estimados em 50 milhões de libras por ano. Objetará precipitadamente nosso imaginário interlocutor: eis aí precisamente o desperdício. Como então, falar em lucro direto ao contribuinte?




Seríamos aqui tentados a desviar a discussão e lembrar que o Palácio do Planalto custa ao contribuinte brasileiro três vezes mais do que Buckingham ao contribuinte inglês. Mas não vamos fazê-lo. Prossigamos com o "The Times". Com efeito, informa o conceituado jornal britânico, que, no ano passado, as propriedades da Coroa, tradicionalmente entregues ao governo no início de cada reinado, proporcionaram o "Chancellor of the Exchequer" (Ministro da Fazenda) a renda de 84,8 milhões de libras esterlinas! Ou seja, a Monarquia proporcionou um lucro líquido direto para o contribuinte inglês de 34,8 milhões de libras esterlinas. À vista do exposto, é exagero dizer que o contribuinte inglês vive ao menos, em parte, às custas da monarquia?


José Guilherme Beccari
Advogado e Presidente do Pró Monarquia

Fonte: boletim Herdeiros do Porvir, No 3.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A Princesa Isabel e o Pai da Aviação

Luís Augusto Franco


Comemoramos recentemente o centenário do vôo pioneiro de Santos Dumont no seu 14 Bis, ocorrido em 23 de outubro de 1906.

Naquele dia, no campo de Bagattelle, pela primeira vez um artefato mais pesado que o ar, partindo da imobilidade, por seus próprios meios ganhava velocidade, se alçava ao ar percorrendo sob controle uma apreciável distância e voltava ao solo igualmente sob controle. Tudo na presença de curiosa e entusiasmada multidão, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas e uma comissão oficial convocada para registrar o fato. Foi o primeiro vôo homologado da História.

Conquista da humanidade, glória para o Brasil.

Cinco anos antes Santos Dumont já ganhara celebridade na Cidade Luz ao contornar com seu dirigível no. 5 a Torre Eiffel, ganhando assim o prêmio Deutsch, oferecido a quem primeiro realizasse a proeza.

E logo depois, em 1907, seu gracioso Demoiselle, verdadeira jóia mecânica, se tornaria o primeiro avião do mundo a ser produzido em série.

Alberto Santos Dumont realizou assim o ciclo completo da navegação aérea, do mais leve ao mais pesado que o ar. Foi ele verdadeiramente, como com justa ufania se ensina nas escolas brasileiras, o Pai da Aviação.

Nesse neto de franceses e bisneto de portugueses, dotado daquela determinação que distingue dos meros sonhadores os grandes realizadores, reluziram qualidades típicas do brasileiro: o espírito universal, a largueza de horizontes e o desprendimento em relação ao bem realizado.

Qualidades que é agradável recordar nesta época de crescente estreitamento e endurecimento dos espíritos.

A Família Imperial não esteve alheia ao feito do grande compatriota.

Discernindo nas qualidades de alma e nos variegados dotes do brasileiro uma riqueza maior ainda do que as belezas e os recursos naturais de nosso imenso território, nossos monarcas timbravam em prestigiar aqueles a quem a Providência tivesse favorecido marcadamente em algum campo. Assim, Pedro Américo, Carlos Gomes, os irmãos Rebouças, Osvaldo Cruz, entre outros, receberam o estímulo imperial, e, quando necessário, também o indispensável auxílio material.

A Princesa Isabel continuou no exílio essa bela tradição. Desfrutando, por sua condição, de privilegiada posição na sociedade de Paris, acolhia com afeto os brasileiros ali acorridos, tomando mesmo a iniciativa de convidar aqueles de cuja presença na capital francesa tivesse notícia.

Santos Dumont não teve necessidades materiais; pelo contrário, um dilatado patrimônio familiar possibilitou-lhe desenvolver suas múltiplas experiências. Mas as carências de alma podem ser maiores que as materiais. Querendo suprir ao jovem brasileiro o afeto materno ausente naquelas circunstâncias, a Princesa Isabel costumava enviar-lhe ao Campo de Bagattelle saborosos farnéis para que não tivesse que se deslocar à hora do almoço, acompanhados de afetuosos bilhetes de estímulo. E quis acrescentar a isso uma medalha de São Bento – protetor para toda sorte de perigos – pedindo que a levasse sempre.

Santos Dumont portou essa medalha até o fim da vida, dando testemunho de quanto era sensível ao apoio da Princesa.

Por sua vez, o Príncipe Dom Luiz, filho da Princesa Isabel, afeito desde jovem aos desafios e à aventura, esteve entre os primeiros companheiros de vôo deste grande inventor.

Editorial 18

A Princesa Isabel, a Pena de Ouro e a Libertação do Brasil

No dia 13 de maio de 1888 a Princesa Isabel empunhou uma belíssima pena de ouro incrustada com diamantes e assinou com régia determinação a Lei Áurea declarando extinta a escravidão no Brasil.

Hoje, mais do que nunca, essa pena de ouro precisa ser empunhada novamente em favor da libertação de todos os brasileiros.

Libertação dos maus exemplos dos políticos; libertação da opressiva carga tributária que estrangula a economia e a prosperidade do país; libertação da ideologia alienante que vilipendia os personagens históricos de nossa pátria; libertação dos que insistem em sufocar em nossas crianças e em nossa juventude o orgulho de serem brasileiros; libertação do tráfico de drogas em nossas escolas, libertação da violência generalizada que tomou conta do Brasil.

"Essa foi a obra da República nos últimos anos..." Tal afirmação de Rui Barbosa é válida desde aquele tempo até os dias atuais, e lamentavelmente a gravidade dos fatos somente aumentou ainda mais.

No entanto, a Princesa Isabel deixou aos brasileiros seu exemplo duradouro de dignidade, de liberdade de consciência, e, sobretudo, de grandeza moral. Terá sido por tal grandeza que ela foi preventivamente - por meio do golpe de 1889 - impedida de assumir novamente o poder em nosso país?

A Princesa Isabel perdeu o Trono, mas perdeu não a Majestade. Pelo contrário deixou-nos esta majestade como modelo e como herança, na pessoa do atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, Dom Luiz de Orleans e Bragança.

Convidamos a todos os que desejam um Brasil melhor, mais justo e mais livre, que voltem seu olhar para a figura magnânima de Dom Luiz; que voltem seus ouvidos e seu coração para os ideais de grandeza e virtude propostos por ele.

Que as páginas do Boletim Herdeiros do Porvir possam nutrir esses ideais na mente e no coração de todos os brasileiros.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Herdeiros do Porvir

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